domingo, 21 de maio de 2017

HECATOMBE 2019



 (05/05/2014) (FICÇÃO)

Tive uma visão: o papa estava fazendo uma visita pastoral à Argentina, quando ocorreu um fenômeno inusitado na terra, como que tornando realidade o que diz o livro do Apocalipse 16,18-20:

“Houve então relâmpagos, vozes, trovões e forte terremoto; terremoto tão violento como nunca houve desde que o homem apareceu na terra. A grande cidade (Roma) se dividiu em três partes, e as cidades das nações (povos pagãos) caíram (...). As ilhas todas fugiram e os montes desapareceram.”

Um, meteoro caiu bem no centro da Itália, com maremotos e terremotos violentos que fizeram sumir do mapa a Itália, parte dos países vizinhos, uma faixa ao norte da África, cortando quase todo o deserto do Saara, toda a Palestina, alargando bastante o Mar Mediterrâneo e pondo fim ao estreito de Gibraltar, que deixara de ser um “estreito”.

O Vaticano simplesmente desapareceu, com todas as suas riquezas artísticas. Milhões de pessoas morreram. O mundo muçulmano e judeu tiveram também grande perda. Isso os ajudou a se unirem mais aos cristãos. 



O aumento do Mediterrâneo mudou o sistema climático e começou a chover no que restara do Saara. Um misterioso vento provindo das florestas africanas semearam sementes de árvores, arbustos e árvores frutíferas e, ao cabo de algum tempo, tudo brotava. Era o início de uma segunda floresta amazônica.

Todos os lugares frequentados por Jesus estavam submersos. Acabou-se o turismo religioso a essas regiões. Finalmente a senhora pobreza batera às portas da Igreja, que não possuía mais um país independente. 

Houve uma reunião de emergência na ONU para resolver os problemas surgidos com essa hecatombe. O papa abreviou sua viagem à Argentina e foi para lá, com alguns peritos no assunto diplomático da Igreja Católica.

O resultado da reunião foi a doação de uma região ao lado do que era a Palestina, para os judeus e a renúncia, por parte da Igreja, de um país autônomo. Remanejou os seus núncios (embaixadores) para outras funções pastorais não diplomáticas.

O Brasil ofereceu-se para abrigar o Papa, que aceitou e foi morar na Aparecida, que tornou-se como que um novo Vaticano. 

Um sínodo dos Bispos acabou com a obrigatoriedade do celibato para os padres e aceitou os já casados que quisessem voltar à prática do sacerdócio.

Imediatamente subiu para um número elevado os padres do mundo todo, com a ordenação sacerdotal dos já diáconos casados. Aparecida tornou-se meta de peregrinações mundiais.

Na visão vi também as consequências da ordenação de homens casados , que atualmente não existe, ou existe em pequeno número. :

-desvio de dinheiro nas paróquias;

-enriquecimento ilícito de alguns padres;

-problemas criminais envolvendo filhos de padres;

-separação de casais cujos maridos eram padres, por  traição dele ou dela;

-posses ilegais de casas paroquiais;

-falta de formação adequada para muitos padres casados.

Aos poucos, dei-me conta de que nada disso ainda ocorrera. Um alívio imenso tomou conta de mim, e a certeza de continuar lutando para que tudo isso possa ocorrer de modo santo, sem nenhuma destruição, só na base de um bom Concílio que leve em consideração a verdadeira vontade de Deus e do bom senso. Afinal, por que a Igreja precisa de um país (o Vaticano) para governar?



Precisamos exercer nossa atividade aqui e agora, pois não conhecemos o futuro, a fim de que tenhamos um feliz amanhã! E o tal meteoro, os cientistas dizem que vai se chocar com a terra em 2019 ou 2020...

O PINTASSILGO


Meu pai criava passarinhos e, entre eles, um pintassilgo que alguém lhe dera. Era muito bonito e cantava maravilhosamente. Entretanto, estava muito solitário. Meu pai então teve a ideia de colocá-lo para criar com uma canária. Deu certo! Após algum tempo, nasceram três pintagóis machos, que é o resultado do cruzamento desses dois tipos de passarinhos. Os machos cantam uma mistura de pintassilgo com canário, mas as fêmeas são estéreis: não criam.

Durante a chocagem, várias vezes ele tratava da fêmea no próprio ninho, para ela não abandonar os ovos. Quando ela saía para suas necessidades, ele ficava no ninho, para não gorar nenhum ovo. Eu ficava admirado de ver tanta dedicação assim numa simples avezinha! Ele também ajudava a fêmea a tratar dos filhotinhos. Como era bonito ver isso! É um exemplo que pode ser visto de dois modos diferentes: por um lado, os pais que tratam bem dos filhos. Por outro lado, os que os abandonam ou os tratam mal.

Sempre que me lembro do pintassilgo, lembro-me também de um amigo meu que pegou três meninos para acabar de criar. Foram abandonados pela mãe. O mais novo, quatro anos. O mais velho, 8 anos. O “seu” Arlindo, pai deles, pedreiro, conseguiu cuidar deles até que teve dois derrames quase seguidos, que o deixaram de cama. Conseguiu, a muito custo, um barraquinho na favela para morar. Lugar horrível! Bem em frente a um pequeno córrego transformado em esgoto, do qual saíam muitos animais (ratos) e insetos comuns e os peçonhentos (pernilongos, baratas, escorpiões, moscas, aranhas).

Sr. Arlindo vivia na cama e era cuidado por um ou outro vizinho, e pelo filho mais velho, o Clóvis. Quando este completou 13 anos, esse meu amigo, então com 40 anos, os encontrou por acaso, quando visitava um outro amigo doente: Clóvis cozinhava, no pequeno espaço diante do barraco, numa lata em cima de dois tijolos, num fogo feito com gravetos, tudo junto: arroz, feijão e batata. Aquilo lhe partiu o coração. Não pensou duas vezes: entrou, conversou com o Sr. Arlindo, que lhe disse ter uma irmã que morava numa cidade próximo a Itaí.

Nos dias seguintes, várias providências foram tomadas: o Sr. Arlindo, enviado à casa de sua irmã; O filho mais novo, agora de 9 anos, foi dado a uma família vizinha desse meu amigo. Os outros três mais velhos (10,12 e 13 anos) ficou com esse meu amigo.

Eles cresceram trabalhando em pequenos serviços adequados à idade, e atualmente são casados, um deles, o Clóvis, tem um filho maravilhoso, têm muita saúde e alegria.

Vejam que coisa: A mãe deles apareceu depois de 25 anos, quando o mais novo já tinha 29 anos. Esse mais novo acolheu a mãe e de vez em quando vai à sua casa; os outros, entretanto, preferem manter-se à distância, embora não a rejeitaram. Perderam aquele elo que os ligava naturalmente à mulher.

O sr. Arlindo morreu, já no seu quarto derrame, mas era feliz em saber que seus filhos estavam bem cuidados.

Quanto ao meu pintassilgo, meu pai soltou-o logo após a ninhada ficar adulta e cantar maravilhosamente. Nunca mais nós o vimos. Estará, na certa, com uma outra canária, ou mesmo com uma pardal, procriando e tomando conta de seus filhotes. Êta passarinho bom! Quisera que todos os pais fossem desse jeito!

ANGÉLICO





Luíza fazia crochê na sala, ao lado de seu esposo Antônio, que lia o jornal do dia. O filho deles, Luís, dormia em seu quarto. Havia chegado bêbado, de madrugada, e aparentemente drogado. Os pais conversaram sobre isso. D. Luíza disse que estava rezando muito para o Anjo da Guarda dele, a fim de tirá-lo dessa vida maluca que ele levava. O pai, Sr. Antônio, também disse que rezava nessa intenção.

Sobretudo pediam a Maria que intercedesse por ele. Só mesmo a oração poderia mudá-lo.

Algum tempo depois, Luís levanta-se, beija o rosto da mãe, cumprimenta o pai e senta-se entre eles, cabisbaixo.

- Como é que eu cheguei aqui ontem? Só me lembro que desmaiei!

-Você quer dizer “hoje”, não é, Luís? – disse-lhe o pai. Foi um seu amigo. Aliás, ele me ajudou a dar um banho em você, pois nem se via seu rosto, de tanto barro. Você estava todo vomitado!

- Meu Deus! – disse Luís. Mas... que amigo é esse?

- Disse chamar-se Angélico. Ele me ajudou porque você estava praticamente desmaiado, e vomitou mais ainda no banheiro. Luís, você precisa deixar essa vida!

- Pai, eu não conheço ninguém que se chama Angélico!

Um silêncio inundou a sala.

- Ele é negro e tem mais ou menos sua idade. Disse também que nem você sabe disso, mas ele é o seu melhor amigo.

Luís olhou para o nada, pensativo; “Quem será esse cara?”

Antônio e Luíza se entreolharam e fizeram um sinal com os ombros, como quem diz: “deixa pra lá”.

Luís foi à cozinha tomar um lanche, pois não estava com vontade de comer a comida do almoço. Seus pais se aprontaram e saíram fazer umas compras.

-Luís, podemos ir tranquilos? Você não vai fazer nenhuma besteira?

-Não. Podem ir tranquilos!

Após saírem, Luís vai à sala com um copo de suco, após haver comido um lanche. Estava pensativo a respeito do tal amigo. Nisso alguém bate à porta. Ele atende e é o Angélico.

-Você que é o Angélico?

-Sim. Podemos conversar?

Luís acena que sim e oferece-lhe um lugar no sofá.

-Afinal, quem é você? Eu não me lembro de que seja o meu melhor amigo. Se nem nos conhecemos!

- Luís, por enquanto eu gostaria de não lhe falar sobre isso. Peço sua paciência e compreensão. Eu apenas quero ajudá-lo. Você está precisando de ajuda, certo?

-Certo!

- Então, tenha paciência, que no tempo certo você vai saber melhor quem eu sou.

-Tudo bem!

-Em primeiro lugar, aqueles com quem você estava ontem são mais seus inimigos que amigos. Você deveria deixar de estar com eles!

-Deixa disso! Eles são os meus “parsas”

-Se fossem, teriam trazido você!

-Por que você diz isso?

-Seu pai não lhe disse que você voltou nu para casa?

O rapaz assustou-se.

-Nu? Como assim?



-Seus “parsas”, como você diz, tiraram sua roupa e seu tênis e os deram ao cara que lhe dera a droga, como parte de pagamento.

Depois de um momento de silêncio, Luís caiu na real:

-Pôxa! Eles fizeram isso?

-Fizeram! Eles não gostam de você, Luís! Querem só o seu dinheiro e são capazes dessas e de outras baixarias para obterem o que querem!

-Angélico, não sei o que dizer. Gosto de usar drogas. Elas me acalmam, me fazem bem!

-Fazem bem? Eu não acho que aquilo em que você se tornou ontem é um “bem”. Será que isso vale a pena?

- Sem elas não consigo viver!

-Luís, você não nasceu viciado!

Outro tempo de silêncio.

-Você precisa orar, rezar mais. A nossa força vem da oração. Sem ela, não há como deixar as drogas ou qualquer outro tipo de mal.

-Eu rezo!

-Muito pouco, quase nada.

-Como é que você sabe?

Angélico fica em silêncio e Luís se lembra do que ele dissera no início.

-Bem... deixa pra lá!

-Luís, você ia à igreja e rezava bastante, há alguns anos atrás!

-Até isso você já ficou sabendo?

_Depois você abandonou Deus e a comunidade, e começou sua vida de viciado. Você rezava muito ao seu Anjo da Guarda.

-É... Eu rezava mesmo. Ele era como meu amigo invisível.

-E era mesmo, como é ainda seu amigo invisível.

-Como era mesmo? Santo Anjo do Senhor... (e para)

Angélico conclui a oração e Luís o acompanha.

-Eu não acredito mais nos padres! Tudo besteira! Tudo mentira! Percebo muitas incoerências entre os padres e mesmo entre os que participam da comunidade.

- As incoerências dos padres e leigos militantes não anulam o ensinamento da Igreja! É como um professor que mostra aos alunos o que lhes pode prejudicar na vida, mas não pratica aquilo. Por ele não praticar não significa que o que ele ensina é mentira.

O silêncio mais uma vez reinou na sala.

-É... A gente inventa mesmo muitas desculpas. Há algumas pessoas boas entre as que eu conheço.

Angélico disse, então, o nome de algumas pessoas conhecidas de Luís que eram verdadeiras no que faziam e falavam.

-Mas como você sabe disso?

Angélico explicou que tinha um tipo de dom de perceber isso nas pessoas.

-E lhe digo ainda mais: Suas orações daquele tempo e as de seus pais foram ouvidas por Deus! Mas vai lhe acontecer algo que o deixará prostrado, a ponto de desanimar novamente, no começo, mas, se você perseverar na oração, começará a nascer de dentro de você uma força que você nunca antes imaginou existir dentro de si. Uma coisa eu lhe digo: tanto agora como nesse tempo de infortúnio que lhe sobrevirá, nunca deixe a oração. E recomece a rezar pelo seu Anjo da Guarda! A oração afugenta nosso inimigo!

- E quem é nosso inimigo? O demônio?

-Não só ele. Há muitos inimigos no nosso dia a dia. Às vezes nem é preciso o demônio para nos levar ao inferno. Nós mesmos procuramos o caminho sozinhos!

Luís cobre o rosto com as mãos, por uns instantes, e quando ergue a cabeça não vê mais o amigo. Olha a cozinha, o quarto, e fica assustado. Não havia percebido que tinha saído. Talvez vendo-o com as mãos no rosto, deixara-o sozinho para que meditasse um pouco! Mas chegou a pensar: “Será que eu estava tendo um tipo de “delirium tremens”? Sentado, encosta a cabeça no respaldo do sofá e pensa: “O que será de mim”? E adormece.

Eram seis horas da tarde quando ele acorda, assustado. Estivera dormindo desde às 2 horas! E seus pais, que ainda não haviam voltado?

Estava para telefonar para algum lugar, quando tocam a campainha. Era um senhor, que se identifica como um policial, e lhe diz que os pais de Luís haviam sofrido um acidente e estavam no hospital, muito mal. Pede que o acompanhe. Luís sai como está, apenas pegando a chave e fechando a porta da casa.

Dias depois seus pais morrem. Ele fica desesperado. Cai mais ainda nas drogas, e até herda a casa e uma quantia boa de dinheiro, mas gasta tudo com drogas e orgias. Acaba ficando sem nada, na rua da amargura. Na rua, mesmo, sem metáfora, porque não tinha onde morar. Torna-se mendigo, morador de rua.

Certo dia estava ele sentado numa calçada, sozinho, quando de repente vê o Angélico sentado ao seu lado, bem vestido, com a mesma roupa daquele dia, com a mesma fisionomia. Já se haviam passado muitos meses.

-Tudo bem, Luís?

Luís olha para ele assustado e o xinga:

-Tudo bem? Como tem coragem de me dizer isso? Você esteve aquele dia em casa só para vaticinar desgraças na minha vida! Quem é você, afinal?

Angélico não dá a mínima para o que ele dissera.

-Luís, você se descuidou muito! Seus pais parece que seguravam um pouco sua vida! Você piorou muito! Desistiu de viver!

- Eu me perdi nas drogas, no jogo, nas orgias... Mas como é que eu consigo ser tão sincero com você? Nem para mim admito tudo isso!

-Coloque isto em sua cabeça: você não consegue mentir para mim. Não queira saber o porquê. Um dia você vai entender.

- Meus amigos me abandonaram, pois, como você mesmo disse, estavam comigo apenas por causa do dinheiro! Minha namorada me largou, por causa das minhas orgias com outras.

Angélico abraça Luís, que encosta a cabeça em seu ombro, e começa a chorar, soluçando. Depois de um tempo, olha para o amigo e lhe implora: “Angélico, me ajude”!

-Luís, esse tempo todo eu só estava esperando essas palavras suas: dando permissão para que eu o ajudasse. Sem essa permissão, Deus não pode ajudar a ninguém, pois estaria se intrometendo em nossa vida, e ele preza muito nossa liberdade, o nosso livre-arbítrio! Mas saiba disso: seja sempre sincero e converse muito com Deus. Ele é seu amigo e nunca vai abandoná-lo. Nem eu. Quer rezar comigo?

-Quero, mas não sei nem como começar.

- Diga a Deus o seu nome!

-Mas ele já sabe!

_Diga!

_Meu Deus, eu me chamo Luís.

-Agora fale-lhe sobre seu problema.

-Deus, eu sou viciado em drogas, em álcool, em sexo, sou órfão, pobre, vivo na miséria, gastei todo o dinheiro que meus pais ajuntaram com tanto sacrifício, estou abandonado, só o Angélico veio falar comigo, mas até ele me abandonou nesse tempo todo! Sou pecador, e me envergonho de todos os pecados que faço, pois trazem muita angústia e dor no coração, muito sofrimento. Peço perdão de todos eles e gostaria de mudar de vida!

-Agora peça o que você quer de Deus

-Meu Deus, peço a graça de ser feliz, e de receber o vosso perdão. (E cobre o rosto com as mãos, chorando).

Quando vai novamente falar com o amigo, ele não está mais lá. Pensa: “Que mania de sumir desse jeito! E agora? Até ele me abandonou!” Estou mais tranquilo, mas sinto vontade de usar droga. O dinheiro acabou. Vou roubar algum e comprar droga...

Chega um homem e ele pensa em roubá-lo, quando ele lhe pergunta:

-Você que é o Luís?

Vendo-se conhecido, desiste de roubar.

-Sim, por que? Como sabe o meu nome?

-Um rapaz chamado Angélico pediu-me para ajudá-lo.

-Você o viu?

-Não. Ele me telefonou.

O homem senta-se ao lado do rapaz.

-Meu nome é Juan, sou chileno e dirijo uma casa de recuperação. Está disposto a tentar a recuperação? Você precisa querer para dar certo. Obrigado ninguém consegue manter muito tempo a sobriedade.

-Já que o meu amigo lhe telefonou;;;

-Ele é seu amigo? Eu achei estranho o telefonema dele!

-Estranho? Por que?

-O nosso telefone é rural, e está sem linha! Só recebemos o telefonema dele. Ninguém consegue falar com a casa. Depois, a outra coisa estranha é que ele me deu a hora exata que eu deveria vir para cá me encontrar com você.

-E a que horas ele telefonou?

-Esse é o outro ponto estranho: Foi ontem à noite! Como ele saberia que você estaria aqui, sóbrio, a esta hora?

Fizeram silêncio, tentando entender, mas desistiram.

-Você vem comigo, Luís?

-Vou.

Pondo a mão em seu ombro, Juan lhe disse:

-Você não vai se arrepender, Luís. Lá, nós formamos uma família! Deus ouviu suas orações!

-É... e eu acho que o meu anjo da Guarda também!

-É? Você reza para ele sempre?

-Rezava antes, mas eu lhe chamei algumas vezes para ajudar-me. E acho que ele está me ajudando.

-Você acha que é o Angélico?

-Acho. Esse cara é muito misterioso! Só tenho dúvida porque ele é negro!

-E por que necessariamente um Anjo da Guarda deveria ser branco?

-É...Por que, não é?

Um ano mais tarde chega o dia da “formatura” de Luís na casa de recuperação. Juan fala:

-Tivemos horas muito difíceis, mas com graça de Deus, ajudamos Luís a se recuperar. Não é, Luís?

-É verdade. Sozinho eu nunca teria conseguido. Primeiramente, devo agradecer ao Angélico, que acho que me está ouvindo agora, e que eu considero o meu Anjo da Guarda. Ele simplesmente desapareceu, mas, por mais esquisito que seja, eu ainda sinto sua presença, sempre. Deus nunca nos abandona quando lhe pedimos, sempre nos socorre. Ele é a Divina Misericórdia! Ele não recusa ninguém! Ele toma a iniciativa de se achegar a nós. Cabe a nós aceitarmos, respondermos ao seu amor.

“Tudo posso naquele que me conforta”, diz S. Paulo Apóstolo. Tudo poderemos fazer se estivermos “atrelados” em Deus, que, como diz Efésios 3,20, “É todo-poderoso para realizar por nós, em tudo, muito além, infinitamente além do que pedimos ou possamos”.

“Sei que não é fácil. Sempre terei vontade de provar um baseado, ou mesmo alguma droga pior. Mas sei, também, que tudo o que pedirmos a Deus ele nos concede, não talvez no modo como pedimos, mas do jeito dele, que é melhor. E como diz Henri Delassus, “Cada dia que um cristão passa sobre a terra é um resumo de sua vida”. Se conseguirmos ficar sóbrios por um dia, o dia de hoje, o conseguiremos por toda a nossa vida. Agradeço, portanto, a todos os que me ajudaram e ainda vão continuar a me ajudar. Quanto a mim, vou procurar passar adiante o eu aprendi e tentar resgatar outras pessoas do vício”.

E assim termina nossa história. Eu acredito no Anjo da Guarda, e o meu tem nome, que eu lhe dei. Você também pode dar nome ao seu Anjo. Na vida eterna, saberemos qual é o seu verdadeiro nome. Por enquanto, é esse que lhe demos.

Os anjos estão a serviço do Deus Altíssimo e sua missão é oferecer-lhe tudo o que seus protegidos faz de bom. Jesus também teve na terra seu Anjo da Guarda, o que o confortou na agonia do Getsêmani.



Os anjos são tão celestes que é impossível que se mostrem a nós como são. São muito belos, e quando aqui aparecem, usam a aparência humana. Vale a pena pedirmos a eles que nos ajudem a recomeçar a nossa vida! O céu nos espera!



ADÁGIO

                         


(Leia a historinha ouvindo o famoso "Adágio de Albinoni", com órgão e orquestra, gravado numa igreja da Hungria. Há no decorrer da música algumas propagandas, até inconvenientes, mas clique no lugar adequado que elas desaparecem). 
Julho do início da década de 90. Campos do Jordão. Teatro do Palácio do Governo. O frio ficou fora desse templo da música. Lotação completa. Todos bem vestidos, com belos casacos. O perfume das mulheres e o das flores dos jardins que circundam o teatro disputam nosso olfato, mas acabam se entendendo e nós os sentimos todos. Silêncio. Começa o Adágio de Albinoni, com órgão, violino e orquestra.
A orquestra começa a música. A música, a poesia,o romance, enfim, o belo, sob todos os aspectos (visual, olfativo e auditivo) invadem o ar e nos aglutina. O espírito se eleva às alturas! Há duas orquestras: a do palco e a de todos esses instrumentos que mencionei: vestes, perfumes, clima, beleza do local, que se harmonizam entre si de forma praticamente maravilhosa, bela e sublime.
A orquestra de cá se une à orquestra de lá e minhas lágrimas arrematam o enlace, como a calda deliciosa de chocolate que se esparrama pelo bolo já saboroso.
O violino faz o solo. O órgão o responde, seguindo seus passos. O violino se anima e ergue sua voz, em vários outros compassos. O órgão se emociona e completa a harmonia iniciada pelo violino, até chegarem os dois a um clímax musical que em que se completam e se fundem. Entra a orquestra, como os jogadores que carregam nos ombros dois colegas que fizeram virar o jogo l
A natureza não se contém e uma chuva fria sussurra um acorde externo, como se fosse uma redoma de vidro a salvaguardar toda essa harmonia.
A música termina, mas ninguém quer sair do lugar. Eu me arranco da poltrona e, a contragosto, me obrigo a sair e, com meus colegas, voltar para a desarmonia da artificialidade e marasmo do nosso dia a dia.
O belo da arte nos leva a Deus, o Criador de todas as possibilidades de harmonias que possam existir.
Se as criaturas são tão belas, se podemos criar tantas harmonias, como as dessa música , se há tanta beleza na natureza, que se dirá do Criador disso tudo?! Deus é tão completo e maravilhoso, com tanta harmonia e beleza, que tudo o que há de mais belo no universo não consegue exprimir nem um só átimo de sua existência e de sua magnificência, santidade, luminosidade.
Se Deus fosse feito de átomos como nós um só átomo de sua luz daria para iluminar o universo todo, como numa visão que S. João Bosco teve. Esse átimo de luz que ele viu o deixou semi-cego por uma semana!
Se eu falasse aqui que Deus não é só luz; que Ele é também amor, beleza, harmonia, perfume, frescor de uma chuva, alegria de um acorde infinito, e tudo o que não consigo expressar aqui, eu estaria sendo muito injusto, pois não há como comparar Deus com qualquer dessas coisas! Tudo o que existe foi criado por Ele, que está infinitamente distante de ser qualquer coisa dessas! Deus não é nada disso! Deus é Deus, e tanto o belo da arte ou de qualquer outra coisa que existe, nos dá apenas uma mísera, pálida, insignificante idéia do que poderemos contemplar, um dia, se formos recebidos no Reino dos Céus.
O convite já está feito! Desde antes que o mundo existisse, Deus já nos havia chamado para vivermos com Ele no Paraíso. Cabe apenas a nós aceitarmos o convite, procurando, humildemente, colocar-nos diante dele, em súplica, pedindo-lhe que Ele nos livre de nós mesmos, do pecado, e do terrível mal que seria abandoná-lo.
Ele já nos garantiu que nunca vai nos abandonar. Se houver alguma desistência, será por nossa conta. “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir-me a porta, eu cearei com ele e ele comigo” (Apoc 3,20)

sábado, 20 de maio de 2017

TESTEMUNHAS DA MISERICÓRDIA




03/02/16


Deus sempre perdoa. Todos nós que fomos perdoados e acolhidos por ele, somos testemunhas de sua misericórdia. Pedir perdão e recomeçar sempre! Eis o segredo da perseverança. Achar-se “sem pecado” é o maior pecado que existe, contra o Espírito Santo, e não tem perdão (Mateus 12,31-32), porque a pessoa que se acha assim, nunca vai pedir perdão. 


Reconheçamos, pois, nossos pecados, nossas fraquezas, diante de Deus, peçamos-lhe perdão e recomecemos nossa vida com maior ânimo e alegria! Sejamos, pois, sempre, “Testemunhas da Misericórdia”!


O maior erro de uma pessoa é não pedir perdão, não confiar no perdão divino. “O que mais fere o meu Coração não são os pecados, mas o fato das pessoas não quererem refugiar-se em mim depois de tê-los cometido”! (Jesus à Irmã Josefa Menendez). Veja quando puder Lucas 17,3-4; Mateus 6,14-15; 18,21-22.34-35; Isaías 43,18-19; Filipenses 3,13-14; Miqueias 7,19 (“Vou jogar seus pecados no mais fundo do mar”).


Na narrativa da Santa Ceia, vemos como Jesus disse a Pedro que se ele não o deixasse lavar seus pés, não teria parte com ele. Deixar que Jesus lave os nossos pés é deixar que ele nos ajude, que ele nos oriente, nos mostre o caminho da verdade, de nossa verdadeira liberdade para a Vida Eterna! 


Poderíamos talvez substituir o que Jesus disse em Apocalipse 3,20, “A quem me abrir a porta, eu cearei com ele e ele comigo”, por: “A quem me abrir a porta, eu lavarei os seus pés”. 


Por que nos fecharmos em nós mesmos, em nossas pretensas capacidades, e não pedirmos a ajuda divina? Por que essa asneira? É pura vaidade, puro orgulho!


Senhor, eu permito que me laveis meus pés! Sim, não quero fazer sozinho o que tenho que fazer! Quero e peço a vossa ajuda! Não me deixeis sem a vossa graça, o vosso amor, o vosso perdão, a vossa luz! Não quero caminhar no escuro!

Amigo (a), deixe-se levar por Jesus, deixe que ele lave os seus pés, que o (a) perdoe, e você também será uma TESTEMUNHA DA MISERICÓRDIA!

O NOSSO RELACIONAMENTO COM DEUS



– A fuga da Sagrada Família para o Egito: uma família tão simples, em dois jumentos, provavelmente numa caravana, pois não se viajava sozinho naqueles tempos, uma família tão comum, mas... a mais importante do universo!

Se os bajuladores de plantão soubessem disso, fariam fila para bajulá-los! Estava ali, num jumento, o Senhor do Universo, o Deus Criador de tudo, em forma humana, real, verídica, em corpo humano, mas ao mesmo tempo plenamente divino.

No entanto, os bajuladores estavam bajulando as pessoas erradas, fossem quem fossem, pois não havia ninguém mais importante do que aquela família no(s) jumentinho(s). Minha atenção, voltou-se para a Eucaristia à minha frente: Jesus está ali, na minha frente! O Deus e Senhor do Universo está ali para ser “bajulado”, adorado, servido, amado, ouvir minhas súplicas, minhas queixas, meus louvores, meus agradecimentos. Veio-me à mente e ao coração apenas uma coisa: não preciso de mais nada, de nada que está aqui, nem mesmo da liberdade. Tenho Jesus à minha frente e no meu coração, na minha vida.

Não preciso dos livros, dos doces, das roupas, das tranqueiras que guardo, do rádio, da TV, nem mesmo da Bíblia! Muitos santos nem tiveram a bíblia toda, pois era algo difícil antes da invenção da imprensa. Não preciso de nada disso porque Jesus está aqui comigo, física e espiritualmente! Haja o que houver, Ele tem-me em suas mãos, eu estou em sua companhia. Ele é meu Rochedo, minha força, minha salvação, “O Caminho, a Verdade, a Vida”! (João 14,6). Já dizia Santa Teresa de Ávila:

“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa! A paciência tudo alcança! Deus nunca muda! A quem a Deus tem, nada lhe falta! Só Deus basta!” Deus nunca nos decepcionará! Diz Isaías 54,8-10:

“Agora, com amor eterno, volto a me compadecer de ti, diz Javé, Meu amor nunca vai se afastar de ti”. Isaías 44,21: “Nunca vou esquecer-te!”; Isaías 49,15-16: “Ainda que a mãe se esqueça do filho que gerou, eu não me esquecerei de ti, diz o Senhor. Veja: eu te tatuei na palma de minha mão!”

Meu Deus, que palavras bonitas! Deus tem nosso nome tatuado em suas mãos! Mas vejo que para realizar isso que estou aqui dizendo, preciso das três virtudes fundamentais: A Fé, a Esperança e a Caridade! Sem essas virtudes, não dá! Mas elas não são frutos de nosso esforço, mas dons de Deus, que as dá a quem as pede.

ESCRITO NO CÉU


(outubro 2016)

Em Lucas 10,17-24), Jesus diz aos setenta e dois discípulos para se alegrarem não por eles poderem vencer os demônios ou pisar em cobras e escorpiões, mas porque seus nomes estão escritos nos céus. Como fazer para ter o nome escrito no céu?

O Cônego Celso Pedro da Silva, nosso amigo, na agenda bíblica de 2016, comenta esse trecho no dia 01/10, contando que o Dom Luciano Mendes de Almeida, bispo famoso de São Paulo, estava concelebrando a missa em rito oriental, muito mais solene que o nosso rito latino, com toda aquela pompa, na Ucrânia, na cidade de Kiev, presidida pelo Metropolita (o bispo da cidade).

Uma criança não se comportava, “escapava da mãe, tentava entrar no espaço fechado do altar oriental: a criança corria, a mãe corria, a missa longa, todos em pé. Dom Luciano, sentado na entrada do altar, pegou a criança” e a segurou nos braços. (Penso naqueles homens rudes pasmos por vê-lo fazer isso, indignados com a criança e a mãe).

Terminada a missa, a criança correu pra a mãe e a mãe gritou para D. Luciano: “Teu nome está escrito no céu”! Conclui o Cônego: “Eis o que escreve o nosso nome no céu”!

Lembro outro fato ocorrido com ele: na assembleia dos bispos, muitas vezes ele ficava no salão varrendo o chão para as reuniões do outro dia, sem ninguém ver (Se eu estou contando isso, é porque um dia alguém viu).

Meditando sobre isso, tentemos perceber em nossa vida fatos que permitiram ter o nosso nome escrito no céu, baseado nesse comentário do Cônego Celso Pedro!

Você vai ver como muitas vezes atos até impensados de caridade foram mais fortes para que o nosso nome esteja escrito no céu, do que outros, aparentemente santos, mas que foram feitos com arrogância, ou para “cumprir tabela”, ou porque não havia um jeito de escapar daquilo, ou feitos sem amor, apenas por pura obrigação.

São os pequenos gestos que nos aproximam de Jesus, como o fez Santa Teresinha, que comemoramos nestes dias (2/10). Para termos nosso nome escrito no céu, é preciso amarmos como Jesus amou, como Jesus nos ama.